domingo, 20 de abril de 2008

Templo Zulai

Tendo como restrição um orçamento limitado, a patroa e eu decidimos por um programa mais econômico neste feriado: o templo Zulai.

Eu tinha visitado a matriz deste templo em 1993, no monte FouGuang, Taiwan. Sem dúvidas, eles possuem uma das melhores infraestrutura no meio budista. No Brasil, não foi muito diferente. Embora não seja tão grandioso quanto à matriz, com certeza é um dos mais belos templos budistas da América Latina.

Formei durante minha vida opiniões poucos favoráveis sobre o mestre Hsin Yun, o representante desta linha de budismo. Mas uma vez abstraída estas opiniões (alguns podem até chamar de preconceitos), é necessário reconhecer os méritos deste mestre para propagar o budismo. O homem tem carisma e competência para administrar coisas grandes.

O tempo não cooperou muito, mas não chegou à atrapalhar tanto. Da Casa Verde até o templo levamos menos de 40 minutos para chegar. Tudo que precisamos foi ficar de olho no marco do KM28 da Raposo Tavares.

A primeira coisa que fizemos ao chegar: almoçar, pois o famigerado aqui não tinha nem tomado café da manhã. Dentro do templo existe um refeitório onde é servido comida vegetariana (para quem não sabe, os monges budistas não podem consumir carne), por R$12,00. Preço justo para um self-service sem limite e uma comida realmente deliciosa.

Passeamos durante quase duas horas pelo templo. É muito parecido com a matriz em Taiwan mesmo. Num dos corredores, pode servir-se um chá que combina com o ambiente. O salão de cerimônia principal é tão grande que chega a ser ostensivo. No museu budista pode-se apreciar algumas artes finas de motivos budistas. Tem também biblioteca, salas de aulas de caligrafia chinesa, sala de meditação, uma lojinha de souvenir e até uma cafeteria, onde é servido um dos melhores pães que já comi. Existe também um cinerário muito tranquilo e elegante.

A quantidade de estátuas de budas e monges é grande, de tudo que é tipo e pose. Há um lago onde tem peixes e tartarugas, mas pelo fato da água estar muito turva hoje, não conseguimos ver muita coisa. E muito verde: bambus, lotus por todos os lugares. Como disse antes, se conseguir se abstrair de algumas opiniões, o lugar pode se tornar aconchegante.

No final do passeio, participamos de uma aula de meditação. Iniciamos com uma meditação a pé, onde a maior dificuldade era ficar abstraído do olhar dos curiosos. Tente imaginar a cena: quase 20 pessoas desfilando em fila dentro do templo em círculos, e um monte de turistas olhando para você sem entender nada. Mesmo assim, foi interessante: consegui sentir meus passos, minha respiração, meu ritmo.

A meditação sentada foi mais simples, praticamente 10 minutos de exercício de respiração aiki para mim. A única diferença era o assento e a posição de lotus versus o seiza que estou acostumado. Uma experiência confortável: nenhum som além da chuva que estava começando e a mente quase vazia.

Para quem esperava ficar decepcionado com o passeio, foi uma grata surpresa. O templo me trouxe lembranças de alguns dos melhores momentos da minha vida. Não é o tipo de lugar onde vou sempre, mas certamente vou voltar.

Salão principal de cerimônias
Eu e Erika, na frente de Buda Shakamuni
Erika brincando com o "gatinho"

Minha protetora, a misericordiosa Kuanyin (Kannon)